| PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
Um bebê, com meses de vida, não pode avaliar as causas de uma separação. Ele não tem noção de tempo, nem entende uma ausência. Para o bebê, o que ele deixa de ver não existe!
A separação mesmo que por curtos períodos é difícil, poré, é essencial para que a criança aprenda a lidar com suas frustrações e viva também a alegria do reencontro.
Mesmo quando a criança já entende a separação, ela sofre, pois não sabe lidar com a frustração da ausência. Compreende que a pessoa vai voltar, mas ela não está ali naquele momento. Para ela o presente é tudo, não há futuro. Basta a ausência momentânea para que fique angustiada, tensa, insegura e chore.
Quando a criança chora, o que deve ser feito?
O choro é a manifestação infantil que mais perturba o adulto, que tudo faz para conhecer e eliminar sua causa. Nos momentos em que a separação é inevitável, eles recorrem a certas artimanhas contra o choro: saem escondidos, mandam a criança passear com alguém, prometem algum presente ou ficam zangados.
Será que essas técnicas dão resultado?
Nada disso resolve. Sair de mansinho, escondido, gera desconfiança. A criança passa a não desgrudar da mãe quando ela está em casa, pede colo com frequência e não sai de perto ao perceber que ela troca de roupa. Fazer chantagens emocionais, oferecer compensações, são iniciativas que deseducam. Mas a pior de todas é zangar-se. A criança interpreta essas demonstrações como um ato de desamor e nada apavora mais que o risco de perder o amor dos pais.
Qual a atitude mais adequada na hora da separação?
Despedir-se com um beijo ou um gesto carinhoso e deixar a criança chorar. Esta atitude honesta infunde confiança. Se ela sentir-se amada e segura na relação com os pais, vai chorar só por alguns minutos. Não se deixe abater, nem de sair, ir embora. Certifique-se apenas de que seu filho ficou com pessoa de confiança, capaz de atender às suas necessidades, sem mimá-lo ou tratá-lo de forma excepcional. Ajuda muito quando a criança gosta da pessoa com quem ficou.
Quais os outros tipos de comportamento que a criança pode apresentar além de chorar?
Pode ficar de mau humor, rebelde e perder o apetite. Só que essas reações não mexem tanto com os pais, porque ocorrem quando eles já foram embora. Nada disso deve preocupar pois passará em pouco tempo.
Como fica a mãe ao separar-se de sua cria?
Por incrível que pareça, as primeiras separações são mais difíceis para a mãe. Virar as costas, sentir a porta fechar e sair ouvindo os gritos do filho desperta um profundo sentimento de culpa. Porém se voltar atrás e não se separar, impedirá que a criança viva uma experiência importante no seu processo de desenvolvimento.
A criança aprende com a separação?
Sim. Ela descobre que o pai e a mãe são outra pessoa e não uma extensão dela. Aprende a lidar com a frustração e a alegria do retorno. Aos poucos adquire confiança. Assim, a separação passa a ser uma coisa natural.
Como os pais devem proceder durante o processo de adaptação?
Geralmente no primeiro dia o pai ou a mãe deverá ficar por mais ou menos uma hora com a criança e voltará para casa com ela. No segundo dia o adulto ficará apenas observando. A criança ficará sob os cuidados da professora, que procurará aproximá-la dos amiguinhos. O adulto poderá continuar na escola no terceiro dia, mas longe das vistas da criança.
Pode acontecer que, mesmo depois de adaptada, a criança ainda chore ao chegar na escola. Desde que não ultrapasse 20 minutos este choro é normal e não significa que a criança não goste de estar ali, mas que quer a companhia da mãe, mas logo irá se acostumar com a ausência dela.
Talvez, desde o primeiro dia, a criança adore a novidade e se sinta importante por também ir à escola. Neste caso, os pais só precisam elogiar o comportamento dela.
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